Atualmente, o terror continua sendo um dos gêneros mais fascinantes do cinema. Com o avanço das tecnologias, além de roteiros mais ousados e diretores cada vez mais criativos, os filmes recentes têm elevado, de forma significativa, o nível do medo.
Mais do que sustos fáceis, o terror moderno aposta, sobretudo, em atmosferas densas, narrativas psicológicas e críticas sociais, o que torna a experiência ainda mais imersiva e impactante.
Neste contexto, listamos, a seguir, os 10 melhores filmes de terror dos últimos tempos, com foco nas produções mais atuais. Portanto, prepare-se para revisitar o medo e, quem sabe, descobrir o próximo filme que vai te tirar o sono.

1- Hereditário (2018)
Poucos filmes marcaram tanto o gênero quanto Hereditário, de Ari Aster. Com uma atuação intensa de Toni Collette, o longa constrói o horror a partir de uma tragédia familiar.
Mais do que apenas assustar com jump scares, o filme Hereditário mergulha profundamente em traumas, luto e heranças malditas. À medida que a história avança, a tensão cresce cena após cena, construindo um clima cada vez mais sufocante, até atingir um clímax verdadeiramente perturbador. Além disso, a trilha sonora inquietante e a direção precisa contribuem de forma decisiva para transformar Hereditário em um clássico moderno do terror.
Além disso, ele inaugurou uma nova fase no terror: mais psicológico, mais simbólico e com estética refinada.
2- Midsommar (2019)
Ainda com Ari Aster no comando, Midsommar inverte completamente as expectativas. Em vez da escuridão típica do gênero, temos um terror que acontece sob a luz do dia.
O filme se passa em uma vila sueca durante um festival pagão. O que começa como uma viagem cultural, logo se transforma em um pesadelo ritualístico.
As imagens perturbadoras, combinadas com o visual quase onírico, criam um contraste poderoso. É um filme que causa desconforto do início ao fim mesmo sem recorrer aos clichês tradicionais.
3- O Homem Invisível (2020)
Com direção de Leigh Whannell, O Homem Invisível atualiza o clássico da literatura e do cinema, agora sob a ótica do abuso psicológico.
A história acompanha Cecilia, interpretada por Elisabeth Moss, que tenta escapar de um relacionamento abusivo. No entanto, mesmo após a suposta morte do ex, ela sente que ainda está sendo perseguida.
O filme é tenso, inteligente e atual. Trabalha temas como gaslighting, medo e controle com profundidade. E tudo isso sem perder o impacto visual.
4- Nope (2022)
Jordan Peele provou mais uma vez que é um dos nomes mais importantes do terror contemporâneo. Nope mistura ficção científica, suspense e crítica social.
Diferente de Corra! e Nós, aqui a narrativa é mais aberta, cheia de simbolismos. A história gira em torno de estranhos fenômenos em um rancho na Califórnia.
Com uma fotografia deslumbrante e cenas impactantes, Nope convida o espectador a interpretar. É um terror que provoca, questiona e permanece na mente.
5- X – A Marca da Morte (2022)
Dirigido por Ti West, X resgata o terror slasher dos anos 70 com um toque moderno. A trama acompanha um grupo que aluga uma fazenda para gravar um filme adulto, mas acaba virando alvo de violência brutal.
O filme mistura nostalgia e inovação. Ao mesmo tempo que homenageia clássicos como O Massacre da Serra Elétrica, cria algo novo, com personagens bem desenvolvidos e tensão crescente.
O sucesso foi tanto que gerou duas sequências: Pearl (2022) e MaXXXine (2024).
6- Pearl (2022)
Falando nele, Pearl é o prelúdio de X e foca na juventude da personagem homônima. Aqui, o terror assume um tom mais teatral e colorido, mas não menos sombrio.
Mia Goth entrega uma atuação impressionante. O roteiro explora a frustração, o desejo por fama e a loucura crescente de uma jovem presa a uma vida sem perspectiva.
O contraste entre a estética vibrante e o horror interno da personagem é o que faz Pearl se destacar. É uma obra intensa, artística e extremamente desconfortável.
7- Sorria (2022)
Lançado sem grandes expectativas, Sorria se tornou um fenômeno. O filme, dirigido por Parker Finn, parte de uma premissa simples: pessoas que, antes de morrerem, apresentam um sorriso sinistro.
A protagonista, uma psiquiatra, começa a investigar os casos e percebe que há algo sobrenatural por trás das mortes.
Apesar do enredo parecer familiar, o filme surpreende pela direção precisa, atmosfera sufocante e pela forma como trabalha o trauma psicológico. É um terror de ritmo firme e cenas impactantes.
8- Barbarian (2022)
Poucos filmes conseguem ser tão imprevisíveis quanto Barbarian. A trama começa com uma mulher que aluga uma casa pelo Airbnb e descobre que já há alguém hospedado.
O que poderia ser apenas um suspense sobre estranhos vira algo muito mais complexo e assustador.
O diretor Zach Cregger brinca com as expectativas do público, quebra a narrativa no meio e conduz o filme por caminhos inesperados. É ousado, bizarro e muito eficiente.
9- O Telefone Preto (2021)
Com direção de Scott Derrickson (A Entidade), O Telefone Preto se passa nos anos 70 e acompanha o sequestro de um garoto por um serial killer mascarado.
Preso em um porão, o menino começa a receber ligações de vítimas anteriores. A partir daí, tenta descobrir como escapar.
O filme mistura elementos sobrenaturais e drama com equilíbrio. Ethan Hawke está aterrorizante no papel do vilão. Já o protagonista, vivido por Mason Thames, traz emoção e tensão na medida certa.
10- Talk to Me (Fale Comigo) (2023)
Produzido por A24 e dirigido pelos irmãos Danny e Michael Philippou, Talk to Me foi uma das grandes surpresas do terror recente.
A história gira em torno de um grupo de jovens que descobre como se comunicar com espíritos usando uma mão embalsamada. O ritual, que começa como uma brincadeira, logo sai do controle.
O filme é dinâmico, brutal e muito criativo. Com poucos recursos e ótimas atuações, entrega sustos reais e temas profundos sobre luto e vício. Uma estreia promissora para os diretores australianos.
Por que esses filmes se destacam?
O terror atual evoluiu. Antes centrado apenas em sustos fáceis, agora abraça temas mais complexos. Luto, abuso, isolamento, fama, loucura são questões humanas que se tornam ainda mais angustiantes quando envoltas em mistério e horror.
Além disso, esses filmes apostam em estéticas variadas. Do realismo sujo de Hereditário à fantasia colorida de Pearl, do simbolismo de Nope ao grotesco de Barbarian, há espaço para todos os tipos de medo.
Outro ponto forte é a qualidade técnica. Direção de arte, trilha sonora, montagem e fotografia ajudam a criar atmosferas envolventes. Cada detalhe contribui para manter o espectador desconfortável.
O terror vive sua melhor fase?
Muitos especialistas acreditam que sim. Nunca houve tanta diversidade dentro do gênero. Filmes independentes ganham força, diretores jovens inovam e estúdios como a A24 apostam no risco.
Além disso, o público está mais aberto ao terror inteligente. Narrativas lentas, finais ambíguos e simbolismos agora são bem recebidos. Isso dá liberdade criativa aos realizadores e renova o gênero constantemente.
Por outro lado, ainda há espaço para o terror popular aquele que assusta nas salas de cinema e viraliza nas redes sociais, como Sorria e O Telefone Preto provaram.
Atualmente, o cinema de terror é mais do que uma simples fábrica de sustos. Na verdade, ele se tornou um espelho sombrio da nossa sociedade. Ao mesmo tempo, ao explorar traumas, abusos, medos coletivos e questões sociais, esses filmes ganham não apenas profundidade, mas também relevância.
Por isso, se você gosta de narrativas envolventes, personagens complexos e uma tensão que cresce a cada cena, essa nova safra de filmes é simplesmente imperdível. Afinal, o medo é uma linguagem universal e nunca antes foi tão bem falada quanto agora.